traulitadas @ 11:16

Ter, 18/10/05

Amanheceu de repente, o frio da noite deu lugar a um dia luminoso e quente.
Ali deitado à mercê de tudo e de todos estava um corpo fustigado pelo cansaço das agruras que se precipitaram numa demolidora noite.
Toda a sua vida ali foi resumida, todos os acontecimentos repetidos e vividos com uma intensidade exacerbada.
O sentimento de naufrago que lentamente acordava para a vida, a sensação de estar perdido, sem saber de onde veio, sem saber para onde ia.
Um autocarro teimava a passar junto a ele. As portas se abriam convidando-o a entrar numa viagem para onde não fazia ideia. Optou por não seguir viagem.
Os acontecimentos sucediam em catadupa, tudo que vivia nesses momento não recordava a sua origem. Os seus companheiros conhecendo-os; não se recordava do seu passado. Onde os encontrou? Como se tornaram amigos? O seu passado não existia na memória.
De novo o autocarro pára no outro lado da rua. Pela janela do seu carro observa as portas a se abrirem novamente. O convite estava expresso uma vez mais.
Uma dor de cabeça súbita. Dor aguda que o leva a olhar o espelho e a observar uma torrente de sangue escorrendo pela face. O pânico toma conta dele. A dor torna-se insuportável. Sem saber o que fazer senta-se pensativo.
As dúvidas tomam conta do seu pensamento. Subitamente uma buzina soa lá fora. Espreita pela janela observando que nesse preciso momento o autocarro parou novamente. Aí decide enfrentar o motorista, desce apressado em direcção á porta de entrada, abre-a apressadamente. O seu cão, amigo fiel de inúmeras correrias a ele se junta.
Aproxima-se do veículo, sem entrar pergunta ao motorista o porquê de semelhante perseguição. Do interior uma voz sombria responde que estavam á espera dele para seguir viagem. Assombrado olha para o interior onde pacientemente outros passageiros aguardavam.
O tempo escoa diz o motorista. Ensanguentado, recusa seguir viagem. O seu fiel amigo abandona-o entrando no autocarro.
Como se trata-se da última chamada para embarque o motorista com o olhar formula o convite, ao qual ele prontamente recusa. Recusava-se a entrar numa viagem sem destino conhecido. A opção foi tomada, as portas encerram-se não sem antes o seu fiel amigo ter latido como que reforçando o convite do motorista. Ali permaneceu quieto e seguro da decisão que tomara.
Ao fundo, as sirenes se faziam ouvir tanto mais perto quanto mais distante o autocarro estava.
Olhou em redor, poucos metros ao lado, um aglomerado de pessoas observavam um atropelamento que ali tinha acorrido. Curioso corre em direcção do sinistro.
Chegando, estupefacto ficou. Duas pessoas tentavam salvar a vida de um homem e um cão que tinham sido atropelados. O cão reconheceu-o com a maior das perplexidades. Tratava-se do seu fiel amigo. Atónito aproxima-se sem que ninguém notasse nele.
Naquele momento a sua alma encontrou o seu corpo, estava consumado. No instante em que o seu corpo falecera, o do seu fiel amigo ganha vida e levanta-se em direcção ao seu dono fazendo aquele gesto que tantas vezes em vida tinha sentido, mas que naquele momento já não sente.

A não viagem deu origem a uma ida sem regresso…


Nota: Inspirado na 5ª dimensão.


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